Isonomia é objetivo do monitoramento, diz Breno Felix, da Agrotools
Rastrear a cadeia de gado bovino para evitar o desmatamento na Amazônia é uma atividade que, apesar de não ser nova, é cada vez mais urgente. O mundo inteiro volta suas atenções para as práticas de produção mais sustentáveis e exige transparência das empresas. Padronizar o monitoramento desse rastreio é um desafio do setor.
"Diante da necessidade de alinhamento e padronização, as seis principais empresas, ou seja, as três grandes indústrias de carne (JBS, Marfrig e Minerva) junto com os três grandes varejistas - Grupo Pão de Açúcar, Walmart (atual BIG) e Carrefour - sentaram-se à mesa para propor regras harmonizadas para o monitoramento.
Entre 2017 e 2018, essas seis empresas desenharam um primeiro rascunho do que seria o Protocolo Harmonizado, apoiadas pela consultoria Agrotools. Em 2019, o Imaflora, por intermédio do Projeto Boi na Linha, somou-se a esse esforço com o apoio do Ministério Público Federal (MPF), ao qual interessava ter regras oficiais únicas e aplicáveis a todas as indústrias.
Dessa forma, a junção dos esforços permitiu uma revisão adicional com o envolvimento dos procuradores da República e consultas às organizações da sociedade civil. A nova construção conjunta possibilitou melhorias incrementais, como a definição de regras claras, que antes não existiam.
A Agrotools é parte importante desse processo, pois identificou no monitoramento uma oportunidade de gerar impacto positivo na cadeia em um momento onde ainda não se falava de negócios de impacto e não havia ninguém fazendo tecnologia para o agronegócio em grande escala.
"Criamos uma ferramenta para lidar com dados estratégicos dos maiores frigoríficos do País e a transformamos em um produto acessível, tanto financeira quanto operacionalmente. A entrada dos varejistas nesse processo acelerou a adoção de ferramentas de rastreio e impulsionou os trabalhos", disse Breno Felix, diretor de projetos da Agrotools, também participante do Programa Boi na Linha.
A empresa hoje opera em outras cadeias com a ferramenta Safe, que permite implementar políticas de sustentabilidade em qualquer cadeia de fornecedores. Ela é multiprotocolo, multicritério, de baixo custo e é o usuário que opera. "O objetivo sempre foi trazer isonomia de mercado", completa Felix.
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